Ergonomia para Lideranças: Como Promover um Ambiente Saudável

Quando falamos em ergonomia dentro das organizações, muitas vezes pensamos apenas em cadeiras ajustáveis, mesas reguláveis ou pausas programadas. No entanto, o sucesso de qualquer programa ergonômico depende, em grande parte, do envolvimento das lideranças.

Cleber Rocha

Por Cleber Rocha

30 Setembro 2025

Quando falamos em ergonomia dentro das organizações, muitas vezes pensamos apenas em cadeiras ajustáveis, mesas reguláveis ou pausas programadas. No entanto, o sucesso de qualquer programa ergonômico depende, em grande parte, do envolvimento das lideranças.


Mais do que fornecer recursos físicos, cabe às lideranças estimular uma cultura organizacional que valorize o bem-estar. Essa postura estratégica impacta não só a saúde dos trabalhadores, mas também a produtividade, a motivação e a retenção de talentos.


O Papel das Lideranças na Ergonomia


Segundo Grandjean (1998), a ergonomia deve ser entendida como a adaptação das condições de trabalho ao ser humano – e não o contrário. Essa adaptação só se consolida quando líderes assumem seu papel de facilitadores:


·        Dar o exemplo: gestores que respeitam pausas, usam mobiliário adequado e valorizam a saúde reforçam comportamentos positivos.

·        Promover diálogos: ouvir trabalhadores sobre desconfortos e dificuldades posturais ajuda a identificar riscos antes que eles se transformem em lesões.

·        Incentivar treinamentos: capacitar as equipes em ergonomia digital, movimentação de cargas e organização do trabalho reduz incidentes.

·        Apoiar ajustes: investir em mobiliário, tecnologias e práticas que respeitem a diversidade corporal e funcional dos colaboradores.


Benefícios da Ação Proativa


Pesquisas apontam que ambientes ergonomicamente adequados diminuem afastamentos, reduzem custos médicos e elevam a satisfação no trabalho (Kroemer, Kroemer & Kroemer, 2017). Para as lideranças, isso se traduz em ganhos de produtividade e de clima organizacional.

Quando gestores se envolvem ativamente:


·        A equipe percebe cuidado genuíno com a saúde.

·        Há maior adesão às práticas ergonômicas.

·        O engajamento cresce, criando um círculo virtuoso de bem-estar e desempenho.


Ergonomia como Estratégia de Gestão


A NR-17 (Norma Regulamentadora de Ergonomia) estabelece parâmetros que vão além do mobiliário, abrangendo organização do trabalho, pausas, carga mental e fatores psicossociais. É exatamente nesse ponto que o papel da liderança se torna essencial: traduzir a norma em práticas reais do dia a dia.


Um líder que promove ergonomia não apenas cumpre a legislação, mas atua de forma estratégica, prevenindo riscos e fortalecendo a sustentabilidade do negócio.


Conclusão


A ergonomia não é um tema restrito aos profissionais de saúde e segurança. É uma responsabilidade compartilhada, que começa na alta gestão e se reflete em todos os níveis da organização.


Quando lideranças abraçam essa causa, constroem ambientes mais saudáveis, produtivos e humanos. Afinal, cuidar das pessoas é também cuidar dos resultados.


Referências


Grandjean, E. (1998). Manual de Ergonomia: Adaptando o Trabalho ao Homem. Porto Alegre: Bookman.

Kroemer, K. H. E., Kroemer, H. J., & Kroemer-Elbert, K. E. (2017). Ergonomics: How to Design for Ease and Efficiency. Prentice Hall.

Brasil. Ministério do Trabalho. NR-17 – Ergonomia.


Artigo produzido pelo Ergonomista Cleber Rocha, para mais conteúdos, acompanhe os blogs da Reliza.


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