A Diferença entre adaptar o corpo ao trabalho e o trabalho ao corpo

Quando falamos de ergonomia, uma pergunta essencial precisa ser feita: quem deve se adaptar — o corpo ou o trabalho?

Michele Espindula - Ergonomista

Por Michele Espindula - Ergonomista

27 Junho 2025

Quando falamos de ergonomia, uma pergunta essencial precisa ser feita: quem deve se adaptar — o corpo ou o trabalho?


Durante muito tempo, a tendência foi forçar o corpo humano a se ajustar às exigências da função, mesmo que isso causasse desconforto, dor e até doenças ocupacionais. Mas hoje, com o avanço da ergonomia, sabemos que o caminho saudável e sustentável é ajustar o trabalho ao corpo, e não o contrário.


Vamos entender melhor essa diferença?


Adaptar o corpo ao trabalho: uma prática arriscada


Essa abordagem parte da lógica de que o trabalhador deve se “encaixar” nas condições que o trabalho impõe — seja pela altura da cadeira, ritmo de produção, tipo de ferramenta ou jornada exaustiva.


Exemplos comuns:


  • Trabalhar horas seguidas sentado em uma cadeira desconfortável.
  • Operar equipamentos mal ajustados, forçando punhos, ombros ou coluna.
  • Realizar movimentos repetitivos sem pausas, acreditando que “o corpo se acostuma”.


Consequências:


  • Dores musculares constantes.
  • Lesões por esforço repetitivo (LER/DORT).
  • Fadiga, irritabilidade e queda de produtividade.
  • Aumento do risco de afastamentos por problemas físicos ou emocionais.


Adaptar o trabalho ao corpo: o princípio da ergonomia


A ergonomia propõe o caminho oposto: é o ambiente de trabalho que deve ser moldado para atender às necessidades físicas, cognitivas e emocionais do trabalhador.


Como fazer isso na prática:


  • Ajustar a altura da cadeira e da mesa para manter uma boa postura.
  • Fornecer apoios para punhos e pés, se necessário.
  • Organizar a rotina com pausas para descanso e alongamento.
  • Adaptar ferramentas e tarefas de acordo com as limitações e características de cada pessoa.


Benefícios:


  • Prevenção de lesões e dores.
  • Maior conforto, bem-estar e satisfação no trabalho.
  • Melhora do desempenho e da produtividade.
  • Redução de afastamentos e custos para a empresa.


Ergonomia é equilíbrio


O corpo humano é adaptável, mas tem limites. Quando respeitamos esses limites, o ambiente de trabalho se torna mais saudável, seguro e eficiente. Adaptar o trabalho ao corpo é mais do que conforto — é uma escolha consciente por saúde, qualidade de vida e produtividade.


Conclusão

Ergonomia não é luxo, é cuidado.

Ao invés de forçar o corpo a se moldar ao ambiente, a verdadeira prevenção e promoção de saúde começa com a pergunta: o que o trabalho pode fazer para respeitar o corpo humano?


Comece com pequenas mudanças. Seu corpo — e seu rendimento — vão agradecer.

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