Trabalhar em Pé o Dia Todo: Parece Normal, Mas Não É
Muita gente acha que trabalhar em pé é automaticamente mais saudável do que ficar sentado. E, em alguns casos, realmente pode ser melhor do que passar horas curvado numa cadeira ruim. O problema começa quando ficar em pé deixa de ser uma escolha e vira uma obrigação contínua, sem pausa, sem apoio e sem alternativa. Quem trabalha em loja, mercado, hospital, salão, cozinha industrial, fábrica ou recepção sabe exatamente como é. No começo do turno está tudo sob controle. Mas, com o passar das horas, o corpo começa a “avisar”: primeiro um incômodo leve, depois aquele peso nas pernas, a lombar reclamando, os pés queimando no fim do dia. E isso não é falta de preparo físico. É sobrecarga mesmo.
24 Fevereiro 2026
Trabalhar em Pé o Dia Todo: Parece Normal, Mas Não É
Muita gente acha que trabalhar em pé é automaticamente mais saudável do que ficar sentado. E, em alguns casos, realmente pode ser melhor do que passar horas curvado numa cadeira ruim. O problema começa quando ficar em pé deixa de ser uma escolha e vira uma obrigação contínua, sem pausa, sem apoio e sem alternativa.
Quem trabalha em loja, mercado, hospital, salão, cozinha industrial, fábrica ou recepção sabe exatamente como é. No começo do turno está tudo sob controle. Mas, com o passar das horas, o corpo começa a “avisar”: primeiro um incômodo leve, depois aquele peso nas pernas, a lombar reclamando, os pés queimando no fim do dia.
E isso não é falta de preparo físico. É sobrecarga mesmo.
O Corpo Não Foi Feito Para Ficar Parado
O nosso corpo foi feito para movimento. Caminhar, alternar postura, sentar, levantar, girar. Quando ficamos muito tempo na mesma posição — mesmo que seja em pé — os músculos permanecem contraídos por tempo demais.
O que acontece na prática?
- A lombar começa a sofrer com a pressão constante.
- As panturrilhas ficam cansadas porque ajudam a manter o equilíbrio o tempo todo.
- Os pés absorvem impacto, principalmente em piso duro.
- A circulação nas pernas pode ficar mais lenta, dando aquela sensação de peso.
É como se o corpo estivesse trabalhando “nos bastidores” o tempo inteiro só para manter você parado.
O Cansaço Que Vai Se Acumulando
O mais curioso é que esse tipo de desgaste não costuma aparecer de uma vez. Ele vai acumulando ao longo dos dias, semanas, meses.
Hoje é só um desconforto.
Depois vira dor frequente.
Mais adiante, pode virar limitação.
Muita gente começa a achar normal chegar em casa com dor nas costas ou nas pernas todos os dias. Mas dor constante não é parte obrigatória do trabalho.
Nem Sempre o Problema É a Função
Em muitos casos, a tarefa em si não exige que a pessoa fique em pé o tempo todo. O que acontece é que o ambiente não foi pensado para permitir variação.
Às vezes, um simples banco alto resolveria.
Ou um apoio para alternar o peso entre as pernas.
Ou a altura da bancada poderia estar melhor ajustada.
Pequenos detalhes fazem diferença enorme quando repetidos todos os dias.
Coisas Simples Que Ajudam Muito
Não precisa ser nada sofisticado para melhorar a situação. Algumas mudanças práticas já reduzem bastante o desconforto:
✔ Alternar entre sentar e ficar em pé sempre que possível
✔ Ter um apoio para colocar um dos pés e aliviar a lombar
✔ Usar tapetes que diminuem o impacto em pisos rígidos
✔ Ajustar a altura da bancada para evitar ficar curvado
✔ Fazer pausas curtas para alongar e movimentar o corpo
São ajustes simples, mas que respeitam o funcionamento natural do corpo.
“Sempre Foi Assim” Não Significa Que Está Certo
É comum ouvir: “Mas sempre trabalhamos assim.” Só que o fato de algo ser antigo não quer dizer que seja adequado.
Hoje já sabemos muito mais sobre como o corpo reage à sobrecarga repetitiva. E quando a ergonomia é levada a sério, os resultados aparecem:
- Menos queixas de dor
- Menos afastamentos
- Mais disposição no fim do expediente
- Melhor rendimento ao longo do dia
Não é sobre conforto exagerado. É sobre prevenção inteligente.
No Final das Contas
Trabalhar em pé não é o grande vilão. O problema é permanecer tempo demais na mesma posição, todos os dias, sem variação e sem adaptação.
O corpo sempre dá sinais. A questão é se a gente ignora ou ajusta o ambiente antes que a situação fique mais séria.
Porque, no fim, cuidar da ergonomia não é luxo. É respeito com quem sustenta o trabalho — literalmente em pé, o dia inteiro.
Artigo produzido pelo Ergonomista Cleber Rocha, para mais conteúdos, acompanhe os blogs da Reliza.
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