O Segredo Ergonômico que 70% dos profissionais estão ignorando
Em um mundo cada vez mais digital, a maior parte da nossa jornada de trabalho se passa em frente a um computador. A transição para o trabalho remoto e híbrido acelerou essa tendência, mas trouxe consigo um desafio silencioso: a ergonomia.
06 Janeiro 2026
A realidade do posto de trabalho informatizado
Em um mundo cada vez mais digital, a maior parte da nossa jornada de trabalho se passa em frente a um computador. A transição para o trabalho remoto e híbrido acelerou essa tendência, mas trouxe consigo um desafio silencioso: a ergonomia. Muitos acreditam que ter uma cadeira ajustável é o suficiente. No entanto, um estudo recente da ABERGO (Associação Brasileira de Ergonomia) [1] revela uma lacuna crítica de conhecimento que está colocando a saúde de milhares de trabalhadores em risco.
O Diagnóstico: estrutura básica não é suficiente
A pesquisa, que analisou o uso de recursos ergonômicos em postos de trabalho informatizados, trouxe dados reveladores. Embora a maioria dos participantes (72,7%) utilize cadeiras com ajustes completos, o problema reside nos acessórios ergonômicos complementares e na conscientização.
O estudo aponta que:
• 70,8% dos participantes utilizam o notebook como equipamento principal.
• Apesar disso, menos da metade (apenas 45,8%) utiliza um mouse pad com apoio para punho.
• Menos da metade (apenas 42,4%) utiliza um apoio de pés ajustável.
Essa baixa adoção de acessórios reflete uma carência de orientação ergonômica. O estudo conclui que muitos trabalhadores desconhecem a função preventiva desses recursos, utilizando-os apenas quando o desconforto já se instalou.
O risco silencioso: notebooks e a falta de pausas
A combinação do uso predominante de notebooks (que, por natureza, impõem desafios ergonômicos) com a ausência de acessórios complementares e pausas regulares cria um cenário de alto risco para o desenvolvimento de Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).
O problema se agrava com a gestão das pausas:
• 91,6% dos trabalhadores permanecem mais de 4 horas diárias em frente à tela.
• Entre aqueles que fazem pausas, uma parcela significativa (27,3%) só o faz quando sente desconforto, e não de forma preventiva e regular (a cada 1 hora, como recomendado).
Isso confirma que a falta de conhecimento não se limita aos equipamentos, mas se estende às práticas comportamentais essenciais para a prevenção da fadiga e da dor cervical e lombar [2].
A importância dos recursos ergonômicos: um investimento estratégico
Os recursos ergonômicos não são um luxo, mas sim um investimento estratégico em saúde ocupacional e produtividade. O uso de acessórios como suportes para notebook, teclados e mouses externos, apoios de punho e apoios de pés ajustáveis são cruciais para:
1 Prevenir DORTs: Minimizando a tensão em regiões críticas como punhos, pescoço e coluna.
2 Aumentar o Conforto: Permitindo que o corpo mantenha uma postura neutra e relaxada.
3 Melhorar a Produtividade: Trabalhadores sem dor e com menos fadiga são mais focados e eficientes.
O estudo da ABERGO [1] reforça que a solução passa por uma necessidade contínua de educação ergonômica e de incentivo à adoção de práticas e equipamentos adequados.
Conclusão
Se você trabalha em um posto informatizado, a pergunta é: Você está usando seus acessórios ergonômicos de forma preventiva ou apenas reativa?
É hora de ir além da cadeira ajustável. Promover a ergonomia é um dever das empresas e uma responsabilidade individual de cada trabalhador.
Para empresas: Invista em treinamentos de ergonomia e forneça os acessórios complementares necessários. Não apenas atenda à NR 17, mas garanta a adequação ergonômica real para a saúde e sustentabilidade organizacional.
Para profissionais: Busque conhecimento! Entenda a função preventiva de cada acessório e incorpore pausas regulares e alternância postural em sua rotina. Sua saúde é seu ativo mais valioso.
Referências:[1] AMARAL, C. A. S. do et al. (2025): "APLICAÇÃO DE FORMULÁRIO ELETRÔNICO NA AVALIAÇÃO DE POSTOS INFORMATIZADOS: UM ESTUDO SOBRE OS RECURSOS ERGONÔMICOS UTILIZADOS POR TRABALHADORES EM AMBIENTES ADMINISTRATIVOS". Autores: Camila Alves Silva do Amaral, Marina Landowsky Colman Schroeber, Tainá Alves da Costa Carvalho, Vanusa da Silva Costa Azevedo. [2] Tirloni et al. (2017): "Ergonomic conditions in office work: the relevance of training and physical exercise." (Citado no artigo ABERGO).
Artigo produzido pela Ergonomista Tainá Carvalho, Para mais conteúdos, acompanhe os blogs da Reliza.
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