Dados e Estatísticas de Afastamentos por Doenças Ocupacionais no Brasil: um retrato atual

Dados e Estatísticas de Afastamentos por Doenças Ocupacionais no Brasil: um retrato atual

Michele Espindula - Ergonomista

Por Michele Espindula - Ergonomista

03 Março 2026

Dados e Estatísticas de Afastamentos por Doenças Ocupacionais no Brasil: um retrato atual

 

Introdução

Os afastamentos do trabalho por doenças ocupacionais e incapacidade temporária têm aumentado no Brasil nos últimos anos, com impacto direto sobre a saúde dos trabalhadores, custos previdenciários e produtividade empresarial. Este artigo apresenta uma análise de dados recentes e estudos científicos que permitem compreender a dimensão e os desafios do tema no contexto brasileiro.

 

1. Volume de afastamentos por saúde no Brasil

Segundo dados do Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou mais de 4,1 milhões de afastamentos por motivos de saúde em 2025 — o maior número dos últimos anos, representando um crescimento de cerca de 15% em relação a 2024.

Esse volume inclui:

·        doenças físicas, como dores nas costas e hérnia de disco;

·        transtornos mentais, como ansiedade e depressão;

·        outras causas incapacitantes que afetam a capacidade de trabalho.

Principais causas de afastamento em 2025

De acordo com dados compilados pelo INSS:

·        Dores na coluna (dorsalgia): 237.113 casos.

·        Lesões ou desgastes dos discos intervertebrais: 208.727.

·        Transtornos ansiosos: 166.489.

·        Episódios depressivos: 126.608.

Esses números demonstram que condições musculoesqueléticas e transtornos mentais estão entre as principais causas de incapacidade temporária, com implicações diretas sobre a ergonomia e a saúde mental no trabalho.


2. Afastamentos por transtornos mentais em crescimento

O Brasil atingiu um recorde de afastamentos por transtornos mentais em 2025, com mais de 546 mil casos, superando os dados de anos anteriores.

Esse aumento inclui diagnósticos como:

·        transtornos de ansiedade;

·        depressão;

·        transtorno bipolar;

·        outros transtornos psiquiátricos reconhecidos pelo INSS.

O crescimento reflete não apenas o reconhecimento clínico desses diagnósticos, mas também mudanças nos padrões de trabalho — como exigências cognitivas elevadas, pressão por produtividade, jornadas extensas e dificuldades de conciliação entre vida pessoal e profissional.


3. Doenças ocupacionais representam pequena parte dos registros, mas estão subnotificadas

Dados oficiais de 2024 mostram que, entre os mais de 724 mil acidentes de trabalho comunicados ao eSocial/INSS, apenas 1% foi reconhecido como doença ocupacional.

Essa discrepância sugere que muitas doenças relacionadas ao trabalho permanecem subnotificadas ou não reconhecidas formalmente, por fatores como:

·        falta de diagnóstico profissional;

·        dificuldades de caracterização da relação causal com o trabalho;

·        lacunas nos sistemas de notificação e fiscalização.

Especialistas apontam que subnotificação pode trazer sérias consequências para políticas públicas, prevenção e proteção social.


4. Impactos econômicos e projeções futuras

Segundo projeções de especialistas e observatórios de saúde do trabalho, o Brasil pode atingir até 1 milhão de incapacitações permanentes até 2029 se as tendências atuais não forem revertidas — com custos estimados de cerca de 4% do PIB em perdas econômicas anuais.

Esses custos envolvem:

·        gastos previdenciários com auxílios e aposentadorias;

·        perdas de produtividade;

·        custos diretos e indiretos para as empresas;

·        impactos sobre o bem-estar dos trabalhadores e famílias.


5. Estudos acadêmicos sobre absenteísmo e causas associadas

Pesquisas em contextos específicos no Brasil apontam padrões que reforçam os dados institucionais:

·        Um estudo com servidores do Distrito Federal encontrou que transtornos mentais e doenças osteomusculares foram as principais causas de afastamentos, com média de 18 dias de licença médica por evento.

·        Outra análise em servidores legislativos apontou que a presença de múltiplas condições crônicas está associada a maior número de dias de afastamento por ano.

Dados como esses reforçam a necessidade de abordagens preventivas e políticas de saúde no trabalho.


6. Síntese dos principais números





Esses números mostram um quadro em evolução, com aumento significativo de afastamentos por doenças comuns no contexto ocupacional, e destacam a importância de políticas de prevenção, ergonomia e programas de saúde mental.

 

Conclusão

Os dados e estatísticas analisados revelam que os afastamentos por doenças ocupacionais no Brasil têm aspectos complexos:

·        eles envolvem tanto condições físicas quanto transtornos mentais;

·        estão aumentando em volume e relevância;

·        apresentam desafios significativos de reconhecimento e notificação;

·        impactam diretamente a produtividade, os custos previdenciários e o bem-estar dos trabalhadores.

Esse cenário reforça a necessidade de ações estruturadas de prevenção, gestão de risco ocupacional, ergonomia e promoção da saúde mental nas organizações — com base em dados e práticas alinhadas às normas de segurança e saúde no trabalho.



Para mais conteúdos, acompanhe os blogs da Reliza.


Para falar com um Consultor Reliza, entre em contato via whats app e conheça nossas melhores soluções.


Siga a Reliza nas redes sociais: Instagram, Linkedin.


Leia também

Banner

Fiscalização do Trabalho Está Mais Rigorosa? O Que Esperar nos Próximos Anos

A fiscalização trabalhista no Brasil sempre foi um termômetro do nível de proteção aos trabalhadores e do grau de exigência sobre as empresas. Nos últimos anos, o tema voltou ao centro das discussões, especialmente com mudanças nas normas de segurança e saúde, reforço no quadro de auditores e maior atenção aos riscos psicossociais. A pergunta que muitas empresas fazem é: a fiscalização realmente está mais rigorosa? A resposta exige análise técnica do cenário atual e das tendências regulatórias. Reforço no quadro de Auditores-Fiscais do Trabalho A fiscalização trabalhista é conduzida pelos Auditores-Fiscais vinculados ao Ministério do Trabalho e Emprego. Após anos sem concursos públicos, houve recentemente a nomeação de aproximadamente 900 novos auditores, elevando o efetivo nacional para cerca de 2.700 profissionais. Embora represente avanço relevante, o número ainda é considerado inferior ao ideal para a dimensão territorial e econômica do Brasil. Isso significa que: • A fiscalização tende a ser mais estratégica e direcionada. • Setores com maior risco recebem prioridade. • Denúncias e indicadores de irregularidade aumentam a probabilidade de inspeção. O modelo atual é menos aleatório e mais baseado em análise de risco.

Banner

Trabalhar em Pé o Dia Todo: Parece Normal, Mas Não É

Muita gente acha que trabalhar em pé é automaticamente mais saudável do que ficar sentado. E, em alguns casos, realmente pode ser melhor do que passar horas curvado numa cadeira ruim. O problema começa quando ficar em pé deixa de ser uma escolha e vira uma obrigação contínua, sem pausa, sem apoio e sem alternativa. Quem trabalha em loja, mercado, hospital, salão, cozinha industrial, fábrica ou recepção sabe exatamente como é. No começo do turno está tudo sob controle. Mas, com o passar das horas, o corpo começa a “avisar”: primeiro um incômodo leve, depois aquele peso nas pernas, a lombar reclamando, os pés queimando no fim do dia. E isso não é falta de preparo físico. É sobrecarga mesmo.

Avatar

Reliza

Olá! É um prazer receber você aqui.

Fale conosco e descubra o poder da ergonomia.