Dados e Estatísticas de Afastamentos por Doenças Ocupacionais no Brasil: um retrato atual
Dados e Estatísticas de Afastamentos por Doenças Ocupacionais no Brasil: um retrato atual
03 Março 2026
Dados e Estatísticas de Afastamentos por Doenças Ocupacionais no Brasil: um retrato atual
Introdução
Os afastamentos do trabalho por doenças ocupacionais e incapacidade temporária têm aumentado no Brasil nos últimos anos, com impacto direto sobre a saúde dos trabalhadores, custos previdenciários e produtividade empresarial. Este artigo apresenta uma análise de dados recentes e estudos científicos que permitem compreender a dimensão e os desafios do tema no contexto brasileiro.
1. Volume de afastamentos por saúde no Brasil
Segundo dados do Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou mais de 4,1 milhões de afastamentos por motivos de saúde em 2025 — o maior número dos últimos anos, representando um crescimento de cerca de 15% em relação a 2024.
Esse volume inclui:
· doenças físicas, como dores nas costas e hérnia de disco;
· transtornos mentais, como ansiedade e depressão;
· outras causas incapacitantes que afetam a capacidade de trabalho.
Principais causas de afastamento em 2025
De acordo com dados compilados pelo INSS:
· Dores na coluna (dorsalgia): 237.113 casos.
· Lesões ou desgastes dos discos intervertebrais: 208.727.
· Transtornos ansiosos: 166.489.
· Episódios depressivos: 126.608.
Esses números demonstram que condições musculoesqueléticas e transtornos mentais estão entre as principais causas de incapacidade temporária, com implicações diretas sobre a ergonomia e a saúde mental no trabalho.
2. Afastamentos por transtornos mentais em crescimento
O Brasil atingiu um recorde de afastamentos por transtornos mentais em 2025, com mais de 546 mil casos, superando os dados de anos anteriores.
Esse aumento inclui diagnósticos como:
· transtornos de ansiedade;
· depressão;
· transtorno bipolar;
· outros transtornos psiquiátricos reconhecidos pelo INSS.
O crescimento reflete não apenas o reconhecimento clínico desses diagnósticos, mas também mudanças nos padrões de trabalho — como exigências cognitivas elevadas, pressão por produtividade, jornadas extensas e dificuldades de conciliação entre vida pessoal e profissional.
3. Doenças ocupacionais representam pequena parte dos registros, mas estão subnotificadas
Dados oficiais de 2024 mostram que, entre os mais de 724 mil acidentes de trabalho comunicados ao eSocial/INSS, apenas 1% foi reconhecido como doença ocupacional.
Essa discrepância sugere que muitas doenças relacionadas ao trabalho permanecem subnotificadas ou não reconhecidas formalmente, por fatores como:
· falta de diagnóstico profissional;
· dificuldades de caracterização da relação causal com o trabalho;
· lacunas nos sistemas de notificação e fiscalização.
Especialistas apontam que subnotificação pode trazer sérias consequências para políticas públicas, prevenção e proteção social.
4. Impactos econômicos e projeções futuras
Segundo projeções de especialistas e observatórios de saúde do trabalho, o Brasil pode atingir até 1 milhão de incapacitações permanentes até 2029 se as tendências atuais não forem revertidas — com custos estimados de cerca de 4% do PIB em perdas econômicas anuais.
Esses custos envolvem:
· gastos previdenciários com auxílios e aposentadorias;
· perdas de produtividade;
· custos diretos e indiretos para as empresas;
· impactos sobre o bem-estar dos trabalhadores e famílias.
5. Estudos acadêmicos sobre absenteísmo e causas associadas
Pesquisas em contextos específicos no Brasil apontam padrões que reforçam os dados institucionais:
· Um estudo com servidores do Distrito Federal encontrou que transtornos mentais e doenças osteomusculares foram as principais causas de afastamentos, com média de 18 dias de licença médica por evento.
· Outra análise em servidores legislativos apontou que a presença de múltiplas condições crônicas está associada a maior número de dias de afastamento por ano.
Dados como esses reforçam a necessidade de abordagens preventivas e políticas de saúde no trabalho.
6. Síntese dos principais números
Esses números mostram um quadro em evolução, com aumento significativo de afastamentos por doenças comuns no contexto ocupacional, e destacam a importância de políticas de prevenção, ergonomia e programas de saúde mental.
Conclusão
Os dados e estatísticas analisados revelam que os afastamentos por doenças ocupacionais no Brasil têm aspectos complexos:
· eles envolvem tanto condições físicas quanto transtornos mentais;
· estão aumentando em volume e relevância;
· apresentam desafios significativos de reconhecimento e notificação;
· impactam diretamente a produtividade, os custos previdenciários e o bem-estar dos trabalhadores.
Esse cenário reforça a necessidade de ações estruturadas de prevenção, gestão de risco ocupacional, ergonomia e promoção da saúde mental nas organizações — com base em dados e práticas alinhadas às normas de segurança e saúde no trabalho.
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