Modelos Internacionais de Ergonomia Cognitiva e Física: Uma Visão Técnica e Atualizada
A ergonomia contemporânea evoluiu muito além da análise postural. Hoje, os modelos internacionais mais utilizados abrangem não apenas o corpo, mas também a mente e a organização do trabalho. Para ergonomistas e profissionais de saúde ocupacional, compreender esses modelos é fundamental para análises mais completas, intervenções precisas e programas eficazes de prevenção.
27 Janeiro 2026
Modelos Internacionais de Ergonomia Cognitiva e Física: Uma Visão Técnica e Atualizada
A ergonomia contemporânea evoluiu muito além da análise postural. Hoje, os modelos internacionais mais utilizados abrangem não apenas o corpo, mas também a mente e a organização do trabalho. Para ergonomistas e profissionais de saúde ocupacional, compreender esses modelos é fundamental para análises mais completas, intervenções precisas e programas eficazes de prevenção.
Este artigo apresenta os principais modelos internacionais de ergonomia física e cognitiva, amplamente utilizados em pesquisas, avaliações ergonômicas e normas globais, além de destacar como eles se integram às demandas atuais da NR-17 e da NR-01.
Modelos Internacionais de Ergonomia Física
A ergonomia física analisa as capacidades biomecânicas do trabalhador em relação às exigências do posto de trabalho. Os modelos internacionais a seguir são referências reconhecidas mundialmente.
1.NIOSH Lifting Equation (EUA)
Desenvolvida pelo National Institute for Occupational Safety and Health, é uma das ferramentas mais robustas para avaliar levantamento manual de cargas.
O modelo considera fatores como:
- Altura inicial e final da carga
- Distância horizontal
- Torção do tronco
- Frequência
- Duração da tarefa
- Assimetria
- Qualidade da pega
Com base nesses parâmetros, calcula-se o Recommended Weight Limit (RWL) e o Lifting Index (LI), definindo o nível de risco da atividade.
2.REBA – Rapid Entire Body Assessment (Reino Unido)
Criado para avaliar posturas dinâmicas em ambientes com variabilidade de movimentos, como saúde, logística e indústria.
Avalia:
- Tronco
- Pescoço
- Pernas
- Braços
- Carga manipulada
- Ações repetitivas ou instáveis
É ideal para observações rápidas e classificação de risco.
3.RULA – Rapid Upper Limb Assessment (Reino Unido)
Focado em pescoço, ombros, braços e punhos, o RULA é amplamente usado em tarefas de precisão, como laboratório, digitação, montagem fina e procedimentos clínicos.
4.OWAS – Ovako Working Posture Analysis System (Finlândia)
Desenvolvido na indústria siderúrgica finlandesa, avalia posturas prolongadas ou extenuantes.
Avalia:
- Posições de costas
- Braços
- Pernas
- Peso manipulado
Seu ponto forte é a análise de tarefas contínuas e monotonia postural.
5.Normas ISO 11228 e ISO 11226 (Internacional)
As normas ISO são as referências mais aceitas globalmente.
ISO 11228:
- Parte 1: Levantamento e transporte
- Parte 2: Empurrar e puxar
- Parte 3: Movimentos repetitivos
ISO 11226:
- Limites de carga para posturas estáticas
Esses documentos orientam políticas e critérios técnicos adotados em muitos países.
6.Snook & Ciriello Tables (EUA)
As tabelas de Snook & Ciriello determinam limites recomendados para:
- Levantar
- Transportar
- Empurrar
- Puxar
Com base em percentis populacionais, são usadas em avaliações rápidas e programas de ergonomia.
Modelos Internacionais de Ergonomia Cognitiva
A ergonomia cognitiva analisa processos mentais essenciais ao trabalho: percepção, atenção, carga mental, raciocínio e tomada de decisão. Com a intensificação das demandas cognitivas e do trabalho mental, esses modelos ganharam protagonismo.
1.NASA-TLX – Task Load Index (EUA)
Ferramenta mais utilizada no mundo para medir carga mental.
Avalia seis dimensões:
- Demanda mental
- Esforço
- Demanda temporal
- Demanda física
- Nível de frustração
- Desempenho percebido
É ideal para setores como TI, call centers, saúde, aviação, monitoramento e operação de máquinas.
2.Modelo SRK – Skills, Rules and Knowledge (Dinamarca)
Criado por Jens Rasmussen, classifica o comportamento humano em três níveis:
- Habilidade (skill-based)
- Regras (rule-based)
- Conhecimento (knowledge-based)
Ajuda a identificar erros humanos relacionados à experiência, contexto e falhas cognitivas.
3.Teoria da Carga Cognitiva (Austrália)
Proposta por John Sweller, explica como o cérebro lida com informações durante tarefas complexas.
Divide a carga mental em:
- Intrínseca (complexidade da tarefa)
- Extrínseca (ruídos, distrações, processos mal planejados)
- Relevante (o que realmente importa para a tarefa)
É essencial para empresas que desejam otimizar treinamentos e processos.
4.Modelo SHEL (Reino Unido)
Criado pela aviação britânica, é amplamente utilizado em setores de alta criticidade.
SHEL representa:
- S – Software (procedimentos, normas)
- H – Hardware (equipamentos, ferramentas)
- E – Environment (ambiente físico e organizacional)
- L – Liveware (pessoas)
O foco é a interação entre esses elementos, prevenindo falhas humanas.
5.FRAM – Functional Resonance Analysis Method (Dinamarca)
Proposto por Erik Hollnagel, analisa como a variabilidade humana pode gerar tanto erros quanto acertos.
É um dos modelos mais modernos e aplicados em sistemas complexos como:
- Saúde
- Energia
- Operações críticas
- Indústria química
Modelos de Ergonomia Organizacional: A Ponte Entre Corpo e Mente
Ergonomia organizacional complementa as análises físicas e cognitivas, com foco em fatores psicossociais.
6.Job Demand–Control–Support (Karasek & Theorell)
Modelo mais utilizado globalmente para avaliar riscos psicossociais.
Avalia:
- Demandas
- Autonomia
- Suporte social
É a base de muitos programas de prevenção de burnout.
7.Modelo de Esforço-Recompensa (Siegrist)
Relaciona:
- Esforço elevado
- Baixa recompensa
→ Aumenta risco de estresse crônico, adoecimento e queda de produtividade.
Como Integrar Todos Esses Modelos na Prática Ergonômica
As análises mais modernas combinam diferentes modelos para ter uma visão ampla do trabalho.
Em uma AET ou ARP completa, normalmente se utiliza:
- Modelos físicos (REBA, RULA, NIOSH, ISO)
- Modelos cognitivos (NASA-TLX, SRK, FRAM)
- Modelos organizacionais (Karasek, Siegrist)
Essa integração permite:
- mapear riscos biomecânicos,
- identificar sobrecarga mental,
- avaliar demandas psicossociais,
- propor ações amplas e eficazes.
É uma abordagem alinhada às exigências da NR-17 e às diretrizes de prevenção da NR-01.
Conclusão
Os modelos internacionais de ergonomia oferecem uma base sólida para entender o trabalho em todas as suas dimensões: física, mental e organizacional. Sua aplicação integrada permite análises mais ricas, recomendações mais precisas e ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos.
Com o avanço do trabalho híbrido, da carga cognitiva elevada e da complexidade das tarefas modernas, esses modelos se tornam ainda mais essenciais para a prática ergonômica.
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