EM TEMPOS DE NR-1 E FRPRT, OS EMPREGADOS NÃO LARGAM A EMPRESA, LARGAM O CHEFE. PORQUE SERÁ?”
Essa frase provoca uma reflexão muito importante quando colocada no contexto da NR-1, dos FRPRT e da ergonomia organizacional. Porque, muitas vezes, o problema não está na empresa enquanto instituição, mas na forma como o trabalho é organizado e, principalmente, como a liderança transforma as exigências organizacionais em experiências concretas para os trabalhadores.
25 Agosto 2026
Essa frase provoca uma reflexão muito importante quando colocada no contexto da NR-1, dos FRPRT e da ergonomia organizacional.
Porque, muitas vezes, o problema não está na empresa enquanto instituição, mas na forma como o trabalho é organizado e, principalmente, como a liderança transforma as exigências organizacionais em experiências concretas para os trabalhadores.
A liderança pode ser um fator de risco —ou de proteção
Um gestor que cobra resultados de forma desproporcional, estabelece metas incompatíveis, não respeita pausas, promove comunicação agressiva, exerce pressão constante ou não dá autonomia pode contribuir para a exposição aos Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho (FRPRT).
E existe um ponto fundamental:
O trabalhador não vivencia a NR-1 ou a NR-17 no papel. Ele vivencia o trabalho através das relações, das cobranças, das metas, da organização e das decisões da gestão.
Por isso, não basta uma empresa possuir um excelente PGR, uma AEP bem elaborada ou um plano de ação impecável se, no cotidiano, a liderança continua reproduzindo os fatores de risco identificados.
E aqui está uma provocação para as empresas:
Se vários trabalhadores estão pedindo demissão do mesmo setor, apresentando conflitos recorrentes, afastamentos, queda de engajamento, reclamações sobre pressão ou rotatividade elevada...
será que o problema está nas pessoas?
Ou será que existe algo na organização do trabalho e no modelo de liderança que precisa ser investigado?
A resposta não deve ser presumida. Deve ser avaliada tecnicamente.
É justamente aí que a ergonomia ganha força: compreender a diferença entre o trabalho prescrito e o trabalho real, ouvir os trabalhadores, reconhecer os fatores de risco e transformar os resultados em medidas preventivas.
A grande reflexão
A NR-1 e os FRPRT não deveriam ser tratados apenas como uma obrigação documental para “cumprir fiscalização”.
Eles podem representar uma oportunidade para a empresa perguntar:
“O nosso modelo de gestão está protegendo ou adoecendo as pessoas?”
Porque uma liderança preparada pode ser um poderoso fator de proteção psicossocial.
E uma liderança despreparada pode transformar uma boa empresa em um ambiente do qual as pessoas querem sair.
No final, talvez o trabalhador não esteja abandonando a empresa. Ele esteja tentando escapar da forma como o trabalho está sendo conduzido.
E essa é uma pergunta que todo gestor deveria fazer antes de perguntar:
“Por que estamos perdendo nossos funcionários?”
Artigo produzido pelo Ergonomista Maicon Correia Queiroz. Para mais conteúdos, acompanhe os blogs da Reliza.
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